O incrível Estandarte de Ur – Parte 1

O ESTANDARTE DE UR MEDE CERCA DE 21 CM DE ALTURA POR 50 CM DE COMPRIMENTO

Repare na imagem acima. À primeira vista, pode ser que alguém reconheça que há uma certa riqueza de detalhes e cores mas a considere apenas mais um objeto que sofreu os efeitos do tempo. Bem, realmente esse artefato existe há muito tempo. 4500 anos aproximadamente! Com essa informação nosso interesse já aumenta, concorda?

Trata-se do mundialmente conhecido Estandarte de Ur. Esse achado arquelógico foi resultado de escavações realizadas entre 1927 e 1928 ao sul da atual Bagdá, região onde se encontrava a antiga cidade de Ur. Essa antiga cidade merece um futuro post só pra ela. O artefato recebeu o nome de estandarte por supor-se que ficava no topo de um poste, como se fosse uma bandeira.

A peça é feita de madeira e tem quatro painéis que retratam cenas do cotidiano da época. Os dois maiores se destacam e receberam nomes de acordo com as cenas retratadas. Um se chama Guerra por trazer cenas de batalha e o outro, chamado Paz, retrata um banquete. As imagens são compostas por várias figuras feitas de conchas. O cenário à volta das figuras foi incrustado com calcário vermelho e lápis-lazúli e alguns detalhes em ouro. Foi utilizado betume para fixar os materiais. Vale ressaltar que boa parte desses materiais preciosos não existiam na região em que o Estandarte foi encontrado, e portanto presume-se que foram adquiridos através de uma rede de comércio com povos vizinhos.

Mas o que mais nos chama a atenção é o nível de detalhes e até as informações sobre aquele tempo que nos são passadas através dessa obra feita há milênios. Hoje vamos abordar apenas um dos painéis.

O PAINEL DA GUERRA (clique para ampliar)

Aqui vemos as imagens de uma batalha e seu desfecho. A narrativa é dividida em três linhas horizontais. Cada linha apresenta um parte do evento. A linha inferior mostra carros de guerra e nesses carros estão 2 guerreiros. É possível ver que eles usavam lança, arco e machado entre seus equipamentos. Os animais também receberam cuidado em sua retratação e dessa forma podemos ver até como eles eram presos por cordas para puxar os carros. Sob os carros e cascos estão os inimigos.

Na linha do meio, notamos uma movimentação da esquerda pra direita em que 8 soldados do exército vencedor, vestindo capas e capacetes e ostentando espadas na bainha se dirigem aos cativos. Estes são retratados nus e muitos acreditam que esse é um simbolismo da época para destacar a condição que se encontravam. Uma curiosidade interessante é que foram achados capacetes iguais aos usados pelos soldados aqui retratados na mesma tumba em que estava o Estandarte.

Por fim, vemos na linha superior uma figura alta, cuja cabeça atravessa a borda da imagem. Esse é claramente o patrono, aquele que encomendou essa obra que se acredita ser o rei Ur-Pabilsag que morreu por volta de 2550 AC. Esse recurso, de aumentar uma figura importante para enfatizar sua natureza superior, é muito comum nas pinturas da Idade Média.

Artefatos como esse me fazem pensar na capacidade dos povos do passado. Hoje com toda a tecnologia e avanços alcançados, temos a tendência de olhar para esse distante passado e imaginar ferramentas arcaicas, utensílios de barro e dificuldades na execução das tarefas mais complexas. Mas o potencial humano já estava lá, atuante, sobrepondo as limitações tecnológicas da época e nos deixando legados fascinantes como esse.

ESSA IMAGEM É PARTE DO OUTRO PAINEL, CHAMADO PAZ, CLIQUE NA IMAGEM PARA CONHECÊ-LO

O Estandarte de Ur faz parte da coleção do Museu Britânico e  está entre as atrações mais procuradas pelos visitantes.

Para ler o post sobre o painel da Paz clique aqui.

FONTES:

britishmuseum.org

wikipedia.org

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7 comentários sobre “O incrível Estandarte de Ur – Parte 1

  1. Muito bom blog. Transformou em momento vivo um passado morto. conheço muito pouco de 4500 anos atrás…tópicos originais e fundamentados. Vou usar para pesquisas e curiosidades…posta Mais!

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  2. As culturas antigas se tornam incrivelmente complexas quando analisamos o desenvolvimento artístico, arquitetônico e tecnológico que estas possuíam, embora a tecnologia propriamente dita pareça ser uma patente exclusiva do mundo contemporâneo. Me agradam muito as descobertas arqueológicas. Sensacional!

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  3. Eu Omir Prado sou suspeito, porque sempre me identifiquei com essa civilização. Embora seja descendente de italianos, portugueses e espanhóis, meu interior desde 1965 se tornou sumério. Me considero um ság-gí-gá (sumério na língua deles)

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