A história de Jan Zizka, o destemido general que foi transformado em tambor de guerra

Jan Zizka, (1360 – 1424), é por vezes lembrado como um dos maiores gênios militares da história. E também por ter sua pele usada como couro para tambor de guerra.

Estátua de Jan Zizka no Monumento Nacional em Vítkov – a 3º maior estátua equestre do mundo

Antes de contar o final da história, porém, vale a pena falar um pouco da vida de Jan Zizka e suas memoráveis realizações. Pra começo de conversa, ele é conhecido por nunca ter sido derrotado em batalha, o que por si só já seria um grande feito. Mas um “pequeno detalhe” torna essa façanha ainda mais impressionante. Enquanto os outros poucos a alcançar essa marca comandaram exércitos inteiros com soldados treinados e bem equipados, Zizka liderou um grupo formado essencialmente por agricultores e rebeldes durante as chamadas Guerras Hussitas – uma sequência de batalhas empreendias entre dissidentes protestantes e a Igreja Católica. Os Hussitas, em sua maioria tchecos, foram assim denominados porque seguiam os ensinos de Jan Hus, bem conhecido padre tcheco que em 1415 foi queimado na estaca acusado de heresia.

Mas antes de batalhar ao lado de seus companheiros hussitas, Zizka emprestava sua espada e habilidades a quem pagasse mais. E foi lutando como mercenário na Batalha de Grunwald de 1410, que Zizka sofreu um ferimento que lhe custou um dos olhos. Isso não o impediu de permanecer lutando e, no fim, sua ajuda foi essencial na vitória dos poloneses.

Em 1419, uns 4 anos após a execução de Hus, os Hussitas deram o primeiro passo rumo à revolta generalizada contra a Igreja Católica. Um grupo de manifestantes liderados por Zizka e Jan Zelivsky invadiu a Prefeitura de praga e atirou pela janela 7 membros do conselho da cidade (algumas fontes dizem que foram 11). Supõe-se que o objetivo inicial do grupo não fosse se reunir para um ataque violento, mas sim solicitar a soltura de companheiros hussitas que haviam sido presos injustamente. No entanto, a multidão se tornou violenta depois que alguém de dentro do prédio lhes atirou uma pedra.

Esse incidente, conhecido como a primeira das Defenestrações de Praga, é amplamente aceito como sendo o ponto de partida para o início das Guerras Hussitas que continuaram até 1434. Sorte para os Hussitas que, liderados por Zizka, conseguiram uma vitória após outra, apesar de frequentemente lutarem enfrentando uma respeitável desvantagem numérica.

Wagenburg

As grandes realizações de Zizka no campo de batalha estavam estreitamente ligadas à sua habilidade de fazer um bom uso do terreno e à sua impressionante capacidade de inovar. Zizka figura entre os primeiros generais a usar armas de fogo de forma efetiva no campo da batalha. Ele até mesmo desenvolveu o que podemos classificar como o tanque de guerra de sua época. E isso não é um exagero. Zizka supervisionou pessoalmente a construção de seus Wagenburg, ou “carroças de guerra”, que nada mais eram que carroças usadas na agricultura convertidas em vagões reforçados de onde seus homens podiam se proteger enquanto assolavam os inimigos com o uso de balestras e armas de fogo.

Essas carroças de guerra foram determinantes em muitas de suas vitórias, ajudando Zizka e seus homens a vencer quando as chances estavam à favor dos inimigos. Na famosa Batalha de Sudomer, por exemplo, Zizka e 400 homens com equipamentos leves derrotaram uma força de composta por 2000 soldados incluindo cavalaria.

Iluminura do Século 15 retratando Zizka, já cego, à frente de suas tropas

Apesar de participar em desenvolver os formidáveis Wagenburg, o próprio Zizka não se abrigava atrás deles, como era de se esperar, mas preferia enfrentar o inimigo de frente. Sua habilidade e determinação no campo de batalho rapidamente o tornou respeitado entre seus homens e seus inimigos. Imagine, sua determinação era tamanha que mesmo após perder o outro olho numa batalha em 1421, ele ainda liderava seus soldados! Inclusive, no fim desse mesmo ano, ainda que completamente cego ele reverteu uma emboscada e derrotou os seus inimigos novamente.

Zizka continuou a liderar seus homens até sua morte, em 1424. Mas não se precipite por concluir que correr cego pelo campo de batalha foi o que o levou ao seu fim. Ele foi mais uma da incontáveis vítimas da Peste e, alguns dizem que após sua morte, seus soldados se denominavam “órfãos”, pois admiravam o general Zizka como a um pai.

Provavelmente ao ler o início do post você imaginou que foram os inimigos que transformaram a pele do General Zizka em um tambor, mas não foi o que aconteceu. Na verdade, esse foi o último pedido do próprio Jan Zizka. Por que? Para que quando suas tropas soassem os tambores da guerra rumo à batalha, “mesmo morto ele ainda pudesse liderá-los”!

FONTE:

htodayifoundout.com

wikipedia.com

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